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  • A indústria nuclear é uma das poucas atividades com interferência humana que tem capacidade para controlar totalmente os rejeitos que produz. Devido às características do material radioativo, a Eletrobras Eletronuclear armazena e controla em tempo integral os rejeitos das usinas de Angra.

    Os rejeitos são classificados pelo seu teor de radioatividade. Nas usinas de Angra, os rejeitos classificados como de baixa radioatividade são materiais utilizados na operação das usinas, como luvas, sapatilhas, roupas especiais, equipamentos e até fitas crepes. Depois de coletados e separados, estes materiais sofrem um processo de descontaminação para reduzir seus níveis de radioatividade. Alguns materiais são triturados e prensados, para ocuparem menos espaço e acondicionados em recipientes que bloqueiam a passagem dessa radiação.

    Os resíduos de média radioatividade, compostos de filtros, efluentes líquidos solidificados e resinas são acondicionados em uma matriz sólida de cimento e mantidos dentro de recipientes de aço apropriados. 

    Com o passar do tempo, esse material perde a radioatividade, mas até lá tem de ser encapsulado e armazenado em depósitos isolados e monitorados.

    O combustível usado


    Os rejeitos de alta radioatividade são os elementos combustíveis (foto menor) usados na geração de energia termonuclear. Como podem ser reaproveitados no futuro, depois de reprocessados, não chegam a ser propriamente rejeitos. Mas, enquanto isso não ocorre, os elementos combustíveis já utilizados na geração de energia ficam armazenados em piscinas especiais (foto maior) dentro dos prédios de segurança das usinas. 

    Monitoramento Permanente

    Os rejeitos radioativos ficam em depósitos, dentro da área da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), em Itaorna, até que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) escolha um local para armazená-los definitivamente (assim como outros materiais radioativos usados pela indústria ou pela Medicina).

    Além de todo o cuidado na manipulação e armazenamento de rejeitos radioativos, a Eletrobras Eletronuclear tem um programa de monitoramento permanente dos níveis de radiação do ar, da terra e da água em torno da CNAAA, que é acompanhado por universidades, institutos de pesquisa, IBAMA, CNEN e a Agência Internacional de Energia Atômica. Esse programa constatou que o funcionamento das usinas nucleares de Angra não alterou os níveis de radioatividade do meio ambiente.


  • Parte dos resíduos orgânicos é reaproveitada no viveiro de mudas da Central de Compostagem na Vila Residencial de Mambucaba

    Na Eletrobras Eletronuclear, a atitude sustentável também se estende ao gerenciamento dos resíduos produzidos na central nuclear. Hoje, a empresa produz cerca de 400 toneladas por ano de resíduos sólidos não radioativos e quase 100% desse material é reaproveitado ou comercializado para reciclagem.

    Para administrar esse trabalho, foi criada há sete anos a Central de Armazenamento Temporário de Resíduos Industriais (Catri). Lá, trabalhadores separam os diversos tipos de resíduos recolhidos nas instalações da empresa em Angra, armazenam e providenciam um destino adequado para cada tipo de material como, por exemplo, óleo lubrificante usado, lâmpadas fluorescentes, carvão ativado, pilhas, baterias, borras de solvente, restos de madeira, alumínio, entre outros materiais. 

    Em 2009, foram geradas 971,24 toneladas de resíduos na central nuclear, sendo 87% encaminhados para reciclagem e outros 9% utilizados em outros processos. Cada tipo de material requer um tratamento específico. As pilhas e baterias seguem para uma empresa que recupera os sais metálicos para usá-los como pigmento em tintas e corantes industriais.

    As lâmpadas fluorescentes vão para outra empresa, onde passam por um processo de descontaminação. Durante o processo de corte das lâmpadas, o vapor do mercúrio é capturado e ocorre a retirada do pó do fósforo. O vidro pode ser usado em indústrias de cerâmica e artesanal, a poeira fosforosa para indústrias de tinta e o mercúrio metálico em novas lâmpadas, termômetros e manômetros. 

    Outros resíduos, como solventes, borras de tinta, resinas de troca iônica, carvão ativado e placas de isolamento térmico são aproveitados na indústria de cimento. Os materiais que têm poder calorífico (por conter carbono) são triturados e misturados formando um composto que alimenta os fornos no qual é produzido o cimento; já os que têm outros componentes, como cálcio e ferro, são incorporados ao calcário e a argila do próprio cimento.

    Entulho da obra de Angra 3 é reaproveitado

    O entulho gerado na central nuclear, principalmente na obra de Angra 3, é utilizado como aterro para o arruamento de áreas da própria empresa. Os recicláveis coletados nas vilas residenciais são enviados para uma área própria na Vila Operária onde são separados e preparados para a venda pública. Outros tipos de resíduos, como sucata tecnológica, pneus, restos de ferro, aço inox e alumínio também são vendidos em leilões.

    A Eletronuclear é a responsável legal por todos os resíduos que produz e acompanha, através de relatórios mensais, o destino correto de todo esse material. Toda a movimentação é acompanhada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), através de um sistema on-line de controle de resíduos, desde sua origem até sua destinação final.

    Na sede da Eletronuclear, no Rio de Janeiro, também existe uma forte preocupação com o destino dos resíduos sólidos produzidos. As pilhas e baterias recolhidas são encaminhadas para a Comlurb. As lâmpadas também são separadas e enviadas, juntamente com as lâmpadas do resto do condomínio, para o Instituto Idea Cíclica. Papéis recolhidos nas caixas próximas às impressoras são enviados, quase que diariamente, para uma empresa de reciclagem. 

    As áreas verdes da central nuclear e das vilas residenciais são responsáveis por um outro tipo de resíduo. Todos os dias, um grande volume de galhos, folhas e troncos resultante da poda de árvores e da conservação dos 672.450 m2 dos jardins e canteiros é recolhido. Esse material – que seguia anteriormente para o aterro municipal de Angra dos Reis – passou, desde 2005, a ser encaminhado à central de compostagem situada na Vila Residencial de Mambucaba. 

    Depois de triturado em máquinas especiais, ele é disposto em montes até se transformar em adubo orgânico (húmus), que é distribuído gratuitamente aos moradores da região. Em 2009, foram produzidos cerca de 650 m³ de húmus, volume equivalente ao de mais de cem caminhões do tipo basculante.

    Óleo de cozinha é coletado

    Além da coleta seletiva realizada as segundas, quartas e sextas-feiras, os moradores das vilas residenciais da empresa podem dar um destino adequado ao óleo de cozinha usado. A Eletronuclear – em parceria com o jornal Folha do Litoral, de Paraty, e a empresa Disque Óleo – disponibiliza, desde o início de 2011, diversos pontos de coleta. 

    As estações de tratamento de esgoto não estão preparadas para receber a enorme quantidade de óleo de cozinha despejado pela população. Para se ter ideia, um litro de óleo contamina cerca de um milhão de litros de água. Isso acontece porque, apesar de o óleo vegetal não se misturar com a água, ele se dispersa sobre ela em uma camada muito fina prejudicando a transferência do oxigênio do ar. O despejo do produto em lixões, onde muitas vezes é enterrado com os demais resíduos, acaba por contaminar o lençol freático. 

    Porém, este mesmo óleo vegetal, utilizado na preparação de alimentos, pode ser empregado como matéria-prima para diversas indústrias: saboeiras, de detergentes, de ração animal, de biodiesel e de graxas. Mas para que as empresas recebam a matéria-prima reciclada, é necessário que o óleo seja descartado de forma adequada. Ele dever ser guardado em uma garrafa PET e entregue num dos 14 postos de coleta espalhados por Angra dos Reis e Paraty, incluindo as vilas residenciais mantidas pela empresa.


  • A Eletronuclear está em processo de implementação de uma unidade de armazenamento complementar de combustíveis irradiados na central nuclear de Angra. A Unidade de Armazenamento Complementar a Seco (UAS), como é chamada, será erguida em uma área localizada dentro da central nuclear, entre Angra 2 e o canteiro de obras de Angra 3. A UAS terá capacidade de abrigar mais de 480 combustíveis irradiados, podendo ser expandida no futuro. A tecnologia escolhida é segura e de fácil implantação, já sendo utilizada em vários países.


     
     

    1. UNIDADE DE ARMAZENAMENTO COMPLEMENTAR A SECO (UAS) [a1] 

    O que é um Elemento Combustível Irradiado (ECI)?

    Elemento combustível é um conjunto de varetas que contém pastilhas com material físsil, usado como combustível para uma usina nuclear. O reator de Angra 1 opera com 121 elementos combustíveis e o de Angra 2 com 193.

    Elemento Combustível Irradiado (ECI) é o elemento já utilizado no reator e que não apresenta mais condições de gerar energia economicamente viável. Um elemento combustível permanece no núcleo do reator por um período de 3 anos (para cada ciclo de um ano) e depois é substituído por um elemento combustível novo. 

    Onde são armazenados estes ECIs? 

    Os ECIs são armazenados, inicialmente, em racks instalados dentro das piscinas existentes em Angra 1 e 2. As piscinas possuem um sistema de troca de calor que permite remover o calor residual gerado pelos combustíveis armazenados. Acima dos elementos combustíveis há uma camada de aproximadamente 7 metros de água borada, que tem a função também de blindagem, para reduzir a radiação a níveis adequados, para os operadores da usina que trabalham ao redor da piscina.

    Após o esgotamento das piscinas, os ECIs irradiados têm que ser transferidos para outras unidades de armazenamento.

    O espaço ainda disponível nas piscinas de combustível usado é suficiente para mais quanto tempo de operação?

    As Piscinas de Combustível Usados (PCUs) das usinas Angra 1 e 2 têm plena capacidade de armazenamento até 2021.

    Devido às dificuldades encontradas pela Eletronuclear para o equacionamento de recursos financeiros, a implantação da Unidade de Armazenamento Complementar Úmida de Combustível Irradiado da central nuclear (UFC) não será mais considerada como a solução para atender os primeiros anos após o esgotamento das PCUs das usinas. A solução será a construção de uma Unidade de Armazenamento Complementar a Seco (UAS) de combustíveis irradiados, em dispositivos especialmente projetados, construídos e licenciados para essa medida.

    Quais as características do sistema de armazenamento escolhido pela Eletronuclear?

    O sistema de armazenamento a seco com base "Canister" se caracteriza por ser um casco de metal em aço inoxidável, soldado, com capacidade de armazenar até 37 elementos combustíveis e dimensões aproximadas de 2,0 m de diâmetro, 4,6 m de altura e 25 mm espessura. Sua função principal é confinar todo o material radioativo no seu interior, garantir a subcriticalidade (ou seja, manter os elementos combustíveis espaçados, para não provocar uma reação nuclear) e permitir a troca de calor com o meio externo.

    O Canister é envolvido por um casco de transferência, constituído em aço carbono de 300 mm de espessura, que tem funções de blindagem radiológica e estabilidade estrutural durante as operações de carregamento, descarregamento e movimentação entre as piscinas das usinas e a UAS.

    Módulos de Armazenamento envolvem o Canister e o casco de transferência. Constituídos de concreto e aço, com espessura de 70 cm, esses módulos têm a função de garantir a proteção física e estrutural e a blindagem radiológica, além de promover a troca de calor entre o meio externo e o Canister.


                                                                    Exemplo de uma instalação com módulos de armazenamento a seco


    Esta forma de armazenamento é segura?

    O tipo de armazenamento a ser usado na UAS é similar ao implantado em cerca de 70 sítios americanos, com aproximadamente 2.300 cascos e sem qualquer registro de vazamento de material radioativo. O projeto deste sistema para ser licenciado deve demonstrar que os cascos permanecerão íntegros mesmo em casos de terremotos, tornados e inundação, entre outros acidentes postulados.

    Como será a estrutura do empreendimento da UAS?

    A Eletronuclear contratará empresas para projeto e execução de obras preparatórias no sítio da central nuclear. Uma empresa será contratada para elaborar o projeto detalhado do sistema de armazenamento a seco, construir a UAS, fornecer os dispositivos específicos para transferência e armazenamento, adequar as usinas Angra 1 e 2 para este processo e executar as transferências de Elementos Combustíveis Irradiados (ECIs) de Angra 1 e 2, correspondentes a cinco ciclos, para a UAS, conforme a figura a seguir:


    Qual é o local escolhido para a UAS?

    A Eletronuclear escolheu um local dentro do sítio da central, localizado entre as usinas Angra 2 e 3, nas proximidades do Observatório Nuclear (ON). Este local já foi analisado para as condições geológicas e geotécnicas e o sítio da CNAAA já foi submetido a estudos meteorológico e hidrológico.


                            O local tem dimensões suficientes para abrigar expansões futuras

    Qual será o custo e prazo deste empreendimento?

    O valor total do empreendimento é de R$ 439,19 milhões. O custo estimado para a contratação principal é de US$ 62,51 milhões. O prazo de implantação é de 34 meses e o prazo para a realização das transferências dos ECIs é de aproximadamente 8 meses (4 meses para cada unidade), a serem iniciadas após a implantação da UAS.