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Eletronuclear divulga balanço de 2025 e reforça trajetória de recuperação e relevância estratégica da energia nuclear

01/04/2026
 

Eletronuclear divulga balanço de 2025 e reforça trajetória de recuperação e relevância estratégica da energia nuclear
 

A Eletronuclear divulgou seu balanço referente ao exercício de 2025, reafirmando a relevância estratégica da geração nuclear para a segurança, a estabilidade e a transição da matriz elétrica brasileira. O documento já está disponível no site da companhia. 

Ao longo do ano, as usinas de Angra mantiveram desempenho operacional consistente, consolidando o papel da energia nuclear como fonte firme, segura, estável e de baixa emissão de carbono, essencial ao atendimento da demanda energética nacional.

O exercício também foi marcado por avanços estruturantes para o futuro da companhia e do setor nuclear brasileiro. Entre os principais destaques, estão a continuidade das ações de extensão da vida útil de Angra 1, o desempenho expressivo de Angra 2 e o avanço das discussões institucionais sobre a retomada de Angra 3, empreendimento estratégico para a expansão da oferta de energia elétrica no país.

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No campo econômico-financeiro, a companhia manteve a execução de seu plano de reequilíbrio estrutural, com foco na racionalização de custos, no aprimoramento da gestão orçamentária e na priorização de investimentos estratégicos.

Como resultado, a Eletronuclear deu continuidade à redução do diferencial entre os custos operacionais (PMSO) e a receita regulatória reconhecida. O indicador, que em 2023 era de aproximadamente 1,6x — equivalente a um gap próximo de R$ 1 bilhão —, foi reduzido para 1,4x em 2024, com déficit ao redor de R$ 500 milhões, alcançando 1,25x em 2025, correspondente a cerca de R$ 300 milhões, em linha com as metas estabelecidas.

A perspectiva permanece de neutralização integral desse diferencial entre 2027 e 2028, sustentada pela continuidade dos ganhos de eficiência operacional e pelo processo de reequilíbrio tarifário já submetido à Aneel ao final de 2025.

Apesar do prejuízo líquido de R$ 142 milhões no exercício, a companhia destaca que o resultado decorre majoritariamente de efeitos regulatórios e contábeis não gerenciáveis, sem relação com qualquer deterioração do desempenho operacional.

O principal impacto decorreu do ajuste da Parcela A de combustível, no valor aproximado de R$ 600 milhões, aplicado no reajuste tarifário de 2025 pela Aneel, resultando em redução de cerca de 13% da receita bruta, que passou de R$ 4,8 bilhões em 2024 para R$ 4,2 bilhões em 2025.

Trata-se de componente tarifário de natureza não gerenciável, com caráter de pass-through regulatório, correspondente ao repasse neutro de custos operacionais, sem geração de margem para a concessionária e, portanto, sem impacto econômico estrutural para a companhia.

Mesmo com a redução estrutural dos custos operacionais e com o efeito positivo do rendimento do fundo de descomissionamento — que gerou receita financeira de aproximadamente R$ 400 milhões em 2025 —, tais fatores não foram suficientes para compensar integralmente os efeitos regulatórios extraordinários do período.

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Para 2026, a perspectiva é de melhora relevante dos resultados. O reajuste tarifário já aprovado contemplou a recomposição da Parcela A e acréscimo extraordinário na Parcela B, totalizando incremento estimado de aproximadamente R$ 600 milhões na receita regulatória, representando aumento da ordem de 17% para o exercício.

Combinadas às medidas de eficiência operacional e financeira em curso, essas iniciativas sustentam a expectativa de retomada do lucro líquido em 2026, reforçando a trajetória de recuperação econômico-financeira da companhia.

Adicionalmente, segue em andamento na Aneel audiência pública voltada à revisão da metodologia de cálculo e do tratamento tributário aplicável ao fundo de descomissionamento, tema prioritário para a consolidação de uma solução regulatória definitiva.

Sobre o Fundo de Descomissionamento

O FDES constitui obrigação regulatória compulsória, vinculada a passivo futuro certo, devendo observar plena neutralidade econômica para a Eletronuclear, sem geração de ganhos ou perdas para a companhia, inclusive de natureza tributária.

A companhia destaca, ainda, o avanço nesse tema com o reconhecimento da condição superavitária do fundo, cujo saldo atual é da ordem de R$ 3,3 bilhões, não havendo necessidade de aportes adicionais para o cumprimento das obrigações futuras programadas.

Angra 3 ainda aguarda decisão do CNPE

Sobre o projeto Angra 3, a companhia informa que, em atendimento à solicitação do CNPE, os estudos técnico-econômicos e a modelagem econômico-financeira foram atualizados ao final de outubro de 2025, consolidando os elementos necessários à deliberação do colegiado.

A matéria já integrou a agenda do Conselho em três oportunidades desde o final de 2024, evidenciando sua relevância estratégica para a política energética nacional. Em todas elas, o presidente do Conselho, ministro de Minas e Energia, manifestou-se favoravelmente à continuidade do projeto, permanecendo a deliberação final pendente em razão de pedido de vista coletiva dos demais membros, com expectativa de nova apreciação pelo CNPE ainda em 2026.

Extensão de vida de Angra 1 tem recursos garantidos

No que se refere ao projeto de extensão da vida útil de Angra 1, ressalta-se que foi obtida, em 31 de março, a aprovação da emissão das debêntures conversíveis em Assembleia Geral Extraordinária da Eletronuclear, concluindo a última etapa relevante de governança interna. Com essa aprovação, os demais trâmites necessários já se encontram em curso, com perspectiva de emissão e desembolso das primeiras tranches, na ordem de R$ 1,3 bilhão, ainda no mês de abril de 2026.

A divulgação do balanço reforça o compromisso da Eletronuclear com a transparência, a governança e a sustentabilidade econômico-financeira, em um momento em que a energia nuclear assume papel cada vez mais relevante no debate sobre segurança energética, desenvolvimento tecnológico e transição para uma matriz elétrica mais limpa, estável e resiliente.



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