O Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Eletronuclear realizou na última segunda-feira, dia 27, a reintrodução de mais dois animais silvestres na natureza. A ação foi realizada em parceria com a equipe da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga (REEJ), em Paraty, Costa Verde do Rio de Janeiro. O Cras recebeu uma coruja-buraqueira (Athene cunicularia) e um gambá-de-orelha-preta juvenil (Didelphis aurita), que passaram por exames, avaliações médicas e receberam os cuidados necessários para serem devolvidos ao habitat natural.
A coruja-buraqueira foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), na região do Frade, em Angra dos Reis. Ela estava com dificuldade de voo e ao dar entrada no Cras, foi constatado no exame clínico inicial que a paciente estava com material pegajoso por todo o corpo, indicativo de interação antrópica com armadilha “cola rato”.
De acordo com o médico veterinário Bartolomeu André Paoli Vago, a coruja permaneceu sob observação da equipe do Cras por 39 dias. “Durante o tratamento foram realizados diversos banhos terapêuticos para remoção do conteúdo pegajoso. Nos exames complementares foram observadas alterações compatíveis com infecção bacteriana e fúngica, além de alteração bioquímica da função hepática. A paciente recebeu todo suporte terapêutico à base de antibióticos, antifúngicos, antioxidantes/hepatoprotetores além de dieta balanceada. Após a paciente apresentar todos os exames com resultados dentro do padrão de normalidade, desenvolver todas as funções vitais e não possuir nenhum resquício de cola, ela foi encaminhada para soltura”, disse.
Já o gambá-de-orelha-preta foi encontrado em uma lixeira dentro da Vila Operária (Mambucaba II), após cair em busca de alimento, e levado ao Cras. Ali, já com os primeiros exames feitos, foi detectado que o animal estava muito debilitado e precisava de internação. “Durante o processo foram realizados exames complementares, como hemograma completo, pesquisa de hemoparasitas, perfil bioquímico de funções vitais, exame de fezes e avaliações clínicas diárias. Como não havia nenhuma alteração significativa dos exames, o paciente recebeu dieta hipercalórica durante oito dias para recuperar a condição corporal. Após atingir o peso ideal, foi encaminhado para soltura”, afirmou Bartolomeu.
Os dois bichinhos foram soltos pela equipe de guarda parques do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) na REEJ. Os animais são comuns na região da Costa Verde fluminense, local de atuação do Cras.
Sobre o Cras
O Centro de Reabilitação de Animais Silvestres é uma iniciativa da Eletronuclear para receber, tratar e devolver à natureza animais nativos da região, encontrados no entorno da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA).
O Cras conta com nove funcionários, dentre veterinários, biólogos, tratadores e administrativo. Em 2025 o centro atendeu 405 animais: 213 foram soltos, 158 vieram a óbito (a maioria com quadro clínico severo e irreversível), e 34 permaneceram em tratamento.