


No dia 28 de março, cerca de 150 integrantes de Comitês de Gênero do Ministério de Minas e Energia e Empresas Vinculadas de diversas partes do país participaram, no Guanabara Palace Hotel, no Rio de Janeiro, do seminário “Desigualdades e Empoderamento – X Assembléia do Comitê Permanente para Questões de Gênero do Ministério de Minas e Energia”. As propostas do encontro, que acontece periodicamente, são planejar, desenvolver e monitorar políticas sobre as questões de gênero, além da troca de experiências.
Angela Fontes, na ocasião subsecretária de Planejamento da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, participou do evento e contou que a primeira fase do programa Pró-eqüidade de Gênero nas estatais ultrapassou as expectativas. Este ano, instituições privadas também poderão participar do programa, que promove a conscientização e a sensibilização dos dirigentes e empregados das empresas, incentivando as práticas de gestão que resultam na igualdade de oportunidades entre homens e mulheres dentro das organizações.
Angela revelou também algumas conquistas alcançadas na primeira etapa do programa como, por exemplo, as políticas de benefícios voltadas a parceiros do mesmo sexo e a elaboração de editais de abertura de processos seletivos e de convocação que atentem à utilização de gênero no masculino e no feminino, entre outras. A ex-subsecretária mostrou que o Governo tem a preocupação de garantir a manutenção da visibilidade dos temas no interior das empresas. “Neste sentido, tem ocorrido a adoção do termo diversidade, que tem somado, à questão de gênero, temas como raça e orientação sexual”, explicou.
A assistente técnica da Presidência, Olga Simbalista, que representou o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, falou, em seu discurso, sobre a importância da presença das mulheres no comando de empresas. “Apesar de os homens ainda serem a maioria, as mulheres respondem por 2/3 de todas as horas trabalhadas no planeta, ocupam 1/3 das vagas oferecidas, representam 1/10 da remuneração mundial e são responsáveis por 1/100 das aquisições no mundo”, concluiu.
Participaram ainda da abertura do encontro o diretor de Administração e Finanças, Paulo Sérgio Petis Fernandes, a coordenadora do Comitê de Gênero, Maria Tereza Mateus Rego, ambos da Eletronuclear, e a coordenadora do Comitê Permanente para Questões de Gênero do Ministério de Minas e Energia e Empresas Vinculadas, Maria Beatriz Cavalcanti.
VERSO
A socióloga e diretora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Brasília (UnB), Lourdes Bandeira, ressaltou, em sua palestra sobre “Desigualdades no Espaço das Instituições e Organizações”, que mais da metade da população mundial é composta por mulheres. Mas, paradoxalmente, elas ocupam menos de 3% dos altos cargos executivos das grandes empresas, apenas 11% dos cargos no parlamento e representam somente 1% das lideranças sindicais, embora constituam 40% da população sindicalizada.
No Brasil, considerando apenas as maiores empresas estabelecidas no país, as mulheres ocupam somente 9% dos cargos de direção, conforme a pesquisa “Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, realizada pelo Instituto Ethos, em 2003.
A socióloga disse ainda que, na sociedade brasileira, homens e mulheres possuem papéis diferentes. Que mulheres são criadas para funções múltiplas, administrando a vida profissional e pessoal. Já os homens são educados para funções específicas e para serem provedores. Mas acredita que os papéis devam ser equilibrados. “Ambos os gêneros precisam saber sobre as mais variadas funções, pois devem estar preparados para obterem êxito nas situações que aparecerem”.
A cientista política do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre a Mulher da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Ana Alice Alcântara Costa, em sua palestra “Empoderamento: Subjetividade e Potenciação dos Sujeitos Subalternos”, defendeu que o poder feminino pode ser exercido "do Planalto à cama", mostrando que a mulher está apta para liderar nas mais variadas situações, das mais íntimas às públicas.
“As mulheres não querem só o poder. Querem contribuir e participar das decisões. Para isso, é preciso mudar o tradicional dos homens sobre as mulheres, que afetam a família e o cotidiano. É construir, de fato, uma sociedade igualitária”, afirmou.
Ana Alice ressaltou ainda que uma mulher empoderada tem limites, mas que não são impedimentos. "Superar as desigualdades de gênero é um dos primeiros passos para o desenvolvimento das mulheres", completou.