
Um pequeno gesto pode ter resultados surpreendentes. Se um milhão de pessoas, durante apenas um mês, fechassem a torneira ao escovarem os dentes a economia de água seria equivalente ao que cai nas Cataratas do Iguaçu durante 12 minutos. A conta foi feita pelo Instituto Akatu, uma organização não governamental (ONG), que tem a proposta de educar e mobilizar a sociedade para o consumo consciente. A palavra Akatu vem do tupi e significa, ao mesmo tempo, "semente boa" e "mundo melhor". Ela traduz a idéia de que o mundo melhor está contido nas ações de cada indivíduo. A Eletronuclear iniciará uma campanha que envolverá, mais fortemente e em primeiro momento, o público interno. Serão ações de consumo consciente no dia-a-dia da empresa como trocar os copos plásticos por canecas, adotar papel reciclado, sugerir que não haja impressão excessiva e sem necessidade etc. Nesta entrevista, o diretor-presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, mostra como cada um pode fazer a sua parte.
Qual o papel das empresas em campanhas de consumo consciente?
As empresas têm a oportunidade de se relacionar com diversos públicos. Desta forma, podem sensibilizar seus funcionários e todos os públicos com que se relacionem para que se tornem multiplicadores da causa do consumo consciente como, por exemplo, seus clientes, seus fornecedores, sua comunidade. Desta forma, as empresas estarão contribuindo para a sustentabilidade da vida no planeta, dando o exemplo do que pretendem.
Quais os resultados que já existem?
De 1950 até o ano 2000, a expectativa de vida do brasileiro aumentou de 49 anos para 71. São 22 anos a mais impactando, por meio de seu consumo, na sociedade, na economia e no meio ambiente. Existem hoje, no Brasil, 22 milhões de pessoas que consomem água de má qualidade. Sessenta e oito por cento dos casos que chegam nos hospitais públicos têm como origem a má qualidade da água. Aumentando o custo dos hospitais, aumentam-se os impostos e, conseqüentemente, todos pagam por isso. A população tem de se convencer que pode fazer diferença.
E o que pode vir a acontecer a longo e a curto prazos?
O Instituto realiza, periodicamente, pesquisas que retratam a assimilação do brasileiro em relação ao consumo consciente. Em março deste ano, lançamos a pesquisa sobre "Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente?". Entre as constatações do estudo está o fato de que um em cada três brasileiros percebe os impactos coletivos ou de longo prazo nas decisões de consumo. Estes são considerados a vanguarda dos consumidores conscientes. Do total da população brasileira, 28% compõem o segmento dos consumidores engajados e 5% são os conscientes, os dois níveis mais altos de assimilação do consumo consciente. Outra constatação é que um em cada oito brasileiros (15%) preocupa-se em mobilizar outras pessoas para a prática do consumo consciente. Entre os consumidores classificados como "mais conscientes", essa preocupação atinge 25%, um em cada quatro cidadãos.
Como a população pode ajudar?
Economizando água e energia; planejando compras de alimentos e roupas; compartilhando informações sobre empresas e produtos com a comunidade; reciclando lixo, comprando produtos orgânicos e usando o outro lado do papel, por exemplo. Quando as ações impactam diretamente no bolso do cidadão, é mais fácil as pessoas se disporem a agir. Mas é importante ressaltar que não há ações individuais de consumo sem impacto sobre a sociedade e o meio ambiente.