
Há 25 anos ocorreu o primeiro sincronismo ao sistema elétrico – produção de energia elétrica para abastecimento de uma rede – na usina de Angra 1, tornando a data um marco histórico da energia nuclear no país. Neste tempo, Angra 1 produziu 56.462.110 MWh, energia suficiente para abastecer uma cidade como o Rio de Janeiro por três anos e meio.
Sérgio Affonso Campello, assistente do superintendente de Angra 1, está na Eletronuclear desde 1980 e ressalta que, durante todo este período, a usina foi fiscalizada tanto pelo órgão licenciador CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) quanto por especialistas internacionais. "Em Angra 1 a segurança é prioridade, sempre", explica
Para Campello, a produção de energia nuclear no Brasil é de grande importância. “Nosso país é rico em outras fontes de energia como a hídrica, por exemplo. Mas o local onde estas usinas são instaladas ficam distantes dos grandes centros consumidores. Sem contar que esta fonte de energia pode se tornar escassa no futuro, diferentemente da energia nuclear”, explica.
Alguns dos empregados da Eletronuclear estavam presentes no momento da fissão e lembram exatamente da época. José Pedro da Silveira está há 28 anos na empresa, quando a usina ainda estava em fase de testes. "Estava na sala de controle com cerca de 50 pessoas. Foi uma grande felicidade acreditar no funcionamento da usina nuclear. Ainda mais com um resultado positivo", recorda.
Silveira se diz orgulhoso de seu papel. "Sou um técnico e sempre quis trabalhar em algo grandioso. Aqui há muita diversidade de tecnologia e sofisticação. É uma realização para qualquer técnico".
Olívio Napolitano, superintendente adjunto de Angra 1, também trabalha na Eletronuclear há 28 anos e esteve presente no acionamento das usinas de Angra 1 e Angra 2. "Senti-me participante de um marco na história da ciência brasileira", comenta Napolitano.
Jorge Luiz Lima de Rezende, superintendente de Angra 1, foi convidado para trabalhar na Eletronuclear em 1978 e não teve dúvidas em aceitar. "Se tratava de um projeto revolucionário para o Brasil e de grande importância para a ciência". Rezende se sente realizado. "Meu trabalho não tem rotina. Em Angra 1, sempre temos um desafio diferente", ressalta.
Jorge Noronha Machado, supervisor do Laboratório de Calibração de Instrumentos e Ferramentarias, estava presente no momento da criticalidade. "Estava na sala de controle e fazia parte da equipe do sistema de proteção do reator de Angra 1. Foi uma satisfação muito grande fazer parte daquilo tudo. Afinal, era o fruto também do meu trabalho que estava sendo realizado".
Márcio Rezende Siniscalchi, engenheiro sênior em Angra 1, trabalha na Eletronuclear desde 1980 e destaca a segurança da usina como exemplar. “Os conhecimentos com o trabalho na usina são compartilhados na Nuclear Network, uma rede de comunicação onde são disponibilizadas informações sobre as atividades desenvolvidas, ajudando outras usinas na realização de suas funções”.
Einar Sobral de Carvalho, supervisor de Química de Angra 1, está na empresa há 27 anos. “Na época da primeira criticalidade, havia um clima de expectativa entre os empregados. Afinal, era o primeiro reator de energia nuclear no Brasil. Antes, só tínhamos visto este assunto em nossos estudos e apostilas. Entrar na era nuclear foi um marco, principalmente para quem trabalhava aqui. Era um projeto pioneiro. Apesar de todas as críticas que recebemos e as incertezas que pairavam sobre a gente, mostramos que podemos produzir energia limpa e com segurança. No início, havia aquela falta de informação. Até ficava receoso em dizer que trabalhava numa usina nuclear. As pessoas falavam que eu era maluco, que aquilo era uma bomba. Até em coisas simples, como fazer um crediário, preferia falar que trabalhava em Furnas. Mas isso tudo mudou. Tenho muito orgulho em fazer parte deste projeto, que é fundamental na produção de energia no Brasil”.
Para comemorar a data, foi organizada uma exposição com fotos desde antes da construção de Angra 1. A mostra esteve entre os dias 1º e 13 de abril na usina e do dia 16 e 27 de abril, na sede da Eletronuclear.


Box: ‘Causos’ curiosos
Sérgio Affonso Campello, assistente do superintendente de Angra 1, lembra de duas histórias curiosas que aconteceram na usina. Em uma delas, funcionários estavam fazendo testes no sistema de ventilação com uma espécie de fumaça, que foi liberada e acabou espalhando-se pelo ambiente. “Além de empregados, estavam no local alguns visitantes e foi um tremendo susto. Mas logo viram que era apenas um teste”.
Numa outra ocasião, em um teste nos ventiladores de recirculação de ar da contenção, um técnico norte-americano entrou no reator. “Como o sistema de ventilação é muito forte, a peruca do técnico foi sugada, causando um grande constrangimento nos envolvidos na atividade”.