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Posicionamento da Eletronuclear sobre matéria publicada no Estado de S. Paulo nesta quarta-feira (24)

26/12/2018
 

Posicionamento da Eletronuclear sobre matéria publicada no Estado de S. Paulo nesta quarta-feira (24)
 

​Resposta é referente à matéria “Energia da usina Angra 3 é mais cara até do que geração solar, diz estudo”. 

Cada fonte de energia tem seus atributos, vantagens e desvantagens. Comparar fontes tão diversas com base apenas em custos projetados não contribui para uma discussão séria sobre a diversidade da matriz elétrica brasileira. 

A tarifa de R$ 480 proposta para Angra 3 resultou de estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e tomou como base as características da geração nuclear. O valor verificado restabelece a viabilidade da obra e está compatível com novos projetos de geração nuclear em outros países. No estudo são imputados custos adicionais à energia nuclear sem qualquer demonstração de como os valores foram determinados. Assim por exemplo, são acrescidos R$64 por MWh a título de “subsídios e isenções”. O estudo reconhece que “não existem isenções de encargos ou incentivos tributários ou isenções fiscais específicas” para Angra 3, porém em um malabarismo conceitual considera “subsídios” os empréstimos feitos a taxas de mercado pelo BNDES e CEF. 

Portanto, o argumento de que o reajuste da tarifa da energia da usina significaria um ônus para o consumidor é falho. Na verdade, nos últimos anos, o Operador Nacional do Sistema (ONS) tem sido obrigado a despachar usinas térmicas de forma constante, com um custo acima dessa nova tarifa de Angra 3. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também avaliou que esse aumento teria um impacto de 1% no preço final da energia ao consumidor, e estimativas recentes apontaram que o despacho térmico para suprir a variabilidade das fontes renováveis trouxe um custo adicional de R$ 1,2 bilhões nesse último ano - valor esse que seria fortemente reduzido se Angra 3 já estivesse operando.

Também não procede o argumento de que seria melhor substituir Angra 3 por usinas fotovoltaicas. No caso de uma fonte intermitente, como é o caso da solar, cujo fator de capacidade médio é de cerca de 25% * há que se considerar os custos de backup. Isto é, os custos das usinas térmicas que suprem o Sistema Interligado Nacional quando as solares não estão produzindo (o que ocorre em 75% do tempo). Estas térmicas, especialmente as movidas a óleo diesel, tem preços muito superiores aos de Angra 3 (R$ 480 por MWh) chegando a valores superiores a R$ 1.500 MWh **. Também vale lembrar que, hoje, os custos da energia solar fotovoltaica são subsidiados pelo governo, o que dificulta qualquer tipo de comparação com outras fontes.

O estudo trata as fontes de forma individualizada, sem considerar a operação conjunta no sistema elétrico. Temos assim resultados bastante estranhos, como o generoso “desconto” dado à fonte flexível por gás natural no montante de R$ 517/MWh por conta de confiabilidade e robustez, ao passo que o benefício dado à fonte nuclear na mesma rubrica foi de apenas R$ 7,00. Se o estudo tivesse considerado a operação integrada do sistema, teria necessariamente que reconhecer que a operação com alta disponibilidade da fonte nuclear permite a economia de água nos reservatórios das hidrelétricas, que passam a assim a contar com reservas de geração para modular a variabilidade de fontes não controláveis como a solar e a eólica. 

A energia nuclear, por se tratar de uma fonte térmica que pode ser alocada próxima aos centros de carga, constitui um alívio aos custos crescentes de transmissão, inerentes a um país fortemente hidrelétrico e de dimensões continentais. Além disso, os maiores potenciais de aproveitamento solar no Brasil estão distantes dos grandes centros, como mostrado no Atlas de Energia Elétrica da Aneel ***. Estudos do ONS demonstram claramente a importância atual de Angra 1 e 2 e a importância futura de Angra 3 ****. 

Vale ressaltar que a construção de Angra 3 também se mostra oportuna por preservar o domínio da tecnologia nuclear, bem como de mão de obra qualificada no país, o que pode ser crítico no futuro próximo. Finalmente, em um momento em que as discussões ambientais se amplificam, cabe destacar, ainda, que a fonte nuclear não é emissora de gases de efeito estufa. Além disso, a disponibilidade do combustível nuclear no país é mais uma vantagem importante, pois contribui para a redução da dependência de insumos importados, reduzindo, assim, a suscetibilidade à oscilação dos preços internacionais dos combustíveis fósseis.

Assim, ao agregar valores ao custo das diversas fontes sem qualquer demonstração, e sem levar em consideração a operação integrada do sistema, o estudo torna-se uma mera especulação de baixo valor técnico, indo pouco além de uma avaliação qualitativa pouco embasada, por vezes distorcendo fatos para fazer prevalecer a agenda dos proponentes de uma fonte específica, o que o desabona de forma cabal.




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